quinta-feira, 31 de maio de 2007

O Início de Tudo




Ter o meu nome incluso entre os fundadores da Assembléia de Deus de Niterói é uma de minhas maiores honras. Em 18 de julho de 2004, aconteceu nossa primeira reunião oficial, em uma sala cedida pelo empresário Jairo Rocha no Instituto Evangélico, localizado na rua Eduardo Luis Gomes, 184 no Centro da cidade de Niterói. Na época, éramos congregação da Assembléia de Deus Tabernáculo da Fé - CONAMAD - no bairro do Rocha na cidade do Rio de Janeiro, dirigida pelo Pastor Samuel Gonçalves de Carvalho, portanto, foi ele quem dirigiu aquela reunião.

Foram mais de cinquenta pessoas a testemunharem esse evento, todavia, não possuímos em nossos arquivos material relativo àquela data devido à escassez de recursos que nos assolava naquele momento. Sem dúvida foi uma bela cerimônia, e a partir dela, meu pai, até então Presbítero Queiroz e minha mãe, até então diaconisa Zena, foram nomeados dirigentes daquela congregação, ao passo que meu irmão e eu ficamos com as atribuições administrativas de secretaria e tesouraria, respectivamente. Cargos que ocupamos até o dia de hoje.

Apesar da grandeza que permeou o evento supracitado, para a família Queiroz tratou-se apenas de uma mera formalidade. Muitos meses antes dessa inauguração, meus pais já desenvolviam um grande trabalho evangelístico na comunidade do Morro do Estado, subindo a favela, fazendo visitação em lares e cultos na casa de alguns irmãos. Lá em nossa casa todas as sextas- feiras funcionava um ponto de pregação, reunindo algumas pessoas que, aos domingos, iam conosco para o Rio de Janeiro, na igreja onde congregávamos. Não era nada fácil! Sabemos que o homem não escolhe obreiros, e sim, reconhece os que já são. Por essa razão, o Pastor Samuel não fez nenhuma objeção quando lhe solicitamos a abertura de uma congregação aqui em Niterói, afinal, ele não só sabia dos trabalhos aqui realizados, como aprovava tudo que era feito. Bem verdade é que de sua parte não houve nem um tipo de auxílio financeiro, mas efetivamente, só queríamos mesmo sua bênção, pois nunca achamos correto fazer a obra de Deus clandestinamente.

É fato que muitos "profetas" e "vasos" tentaram de tudo para que fôssemos "independentes", leia-se "clandestinos". Infelizmente essa tentação tem destruído muitos ministérios. O diabo usa alguém que lança a seta da liberdade irresponsável e faz com que surjam igrejas clandestinas, sem nenhum tipo de respaldo humano, e consequentemente, sem aprovação divina. Considero todas as igrejas sem convenção um flagelo social e espiritualmente irrelevantes. A convenção, seja ela de qual denominação for, tem como objetivo o funcionar como uma espécie de corregedoria, evitando exageros, punindo faltas, fiscalizando as ações, traçando metas e impondo limites e regras. Porém, quando a igreja não é convencionada, quem executará esse importante papel?

É justamente ao responder essa pergunta que descobrimos a razão real pela qual tem havido a proliferação de igrejas clandestinas. Nelas, o dirigente tem um poder absoluto, e quando muito, é fiscalizado apenas por seus próprios liderados, os quais aprendem desde cedo que "questionar as ações do anjo da Igreja é pecado gravíssimo". Levando em conta o fator financeiro, além da total falta de prestação de contas, há uma grande "economia orçamentaria", uma vez que não haverá taxas a serem pagas à convenção alguma. Todavia, o fator mais relevante que leva à criação de uma igreja clandestina é que ela será liderada por pessoas totalmente despreparadas e que justamente por serem consideradas inaptas pelas convenções, recorrem ao caminho mais fácil: a clandestinidade. É como se dissessem: "Serei líder por bem ou por mal".

O mais triste nisso tudo é que quase todos que apelam para essa prática acham que são "chamados por Deus", e "desprezados pelos homens". Só esquecem-se de que esses homens (os líderes de convenção) são homens de Deus também, e ninguém pode resistir a vontade do Altíssimo. Se Ele quer que eu me torne um líder, eu nada tenho de fazer para que isso ocorra, a não ser confiar nele. Não é necessário jeitinhos humanos, pois estes não levam à vontade de Deus, que é perfeita, boa e agradável. Prometo fazer um texto mais bem elaborado acerca desse assunto em um futuro próximo.

Por hora, gostaria apenas e tão somente recordar aquele 18 de julho. Confesso que não imaginava chegar onde estamos, mas sei que muito mais o Senhor ainda vai fazer. Hoje, a estrutura da Igreja está muitíssimo evoluída. Nos primórdios, naquela pequenina sala dentro do Instituto Evangélico, contávamos com um único microfone, pouco mais de vinte cadeirinhas em estado físico duvidoso, um aparelho de som de qualidade limitada e alguns poucos CD´s de louvor. Mas toda essa precariedade jamais abalou a qualidade de nossa adoração ao Senhor! Fazíamos cultos quase todos os dias da semana, à excessão dos sábados, terças e quintas. É de se ressaltar que não computávamos nem 15 pessoas no rol de membros e os únicos obreiros eram os quatro integrantes da minha família. Não raro, eu agia simultaneamente como porteiro, professor de crianças e pregador da noite. E assim como eu, todos os outros três se desdobravam para fazer o melhor para Deus e sua Igreja.

Se eu disser que aquele tempo me deixou saudades, eu estaria sendo hipócrita e mentiroso. Foram tempos trabalhosos, difíceis. Tempos de pressões, dúvidas. Éramos constantemente incomodados pelo dono do imóvel, o qual lançara-se em campanha por sua candidatura a vereador, pelos demais inquilinos do Instituto que descumpriam suas obrigações sobrecarregando a Igreja e até mesmo por nosso líderes que na hora de maior aperto simplesmente omitiam-se. Porém, tudo isso serviu para um grande amadurecimento para todos nós, e tívessemos sido reprovados nesse teste, o SENHOR jamais nos confiaria obras maiores.

Felizmente, vencemos essa etapa. Foram mais ou menos seis meses vivendo dessa maneira. Seis longos meses! Nunca tínhamos tido uma carga tão intensa de cultos, nunca tínhamos tido tantas preocupações e atribuições! A adaptação não foi fácil, mas foi justamente durante esse perído que Deus forjou o caráter da Igreja, dando o tom dos costumes, hábitos e atitudes que possuímos até hoje.

Ao vermos uma lagarta passar por seu árduo processo de metamorfose para se tornar uma bela borboleta, aprendemos que sem dores não há crescimento. Se hoje a Igreja está crescendo, saiba o nobre leitor que foi à base de muito sofrimento passado. E a maioria dele está concentrado nesses seis meses em que passamos fixados àquela pequena salinha do Instituto Evangélico. Talvez seja por isso que Deus não permitiu que tívessemos alguma recordação tangível daquela época. Já as lembranças que trazemos conosco, o próprio Deus se encarrega de deletá-las.

Um comentário:

DANIEL HENRIQUE disse...

oLÁ! sou eu daniel de goiania
perdi contato deste blog. Mas achei de novo. A minha dinda nilza me repassou. Não li ainda os textos do blog, mas so os dois videos já me emocionei, alias, fiquei alegre em ver a obra sendo feita de tal maneira que Satanas cai por Terra. E fico bastante contente em saber que a Igreja Assembleia de Deus de Niteroi cresceu. Quando estive ai em julho, Deus me disse e falei a zena depois de cantar ai, que essa terra era fertil que iria gerar bastante fruto!!!(a semente na qual vcs plantaram, hoje estão colhendo)ALELUIA! Tenho fotos da igreja de vcs na parede do meu quarto e oro, intercedo, pelas crianças, jovens, mais velhos que vão a casa de Deus busca-lo!!! Sou de uma igreja completamente diferente, mas o que mais me alegro ainda é ver que servimos ao mesmo Deus, ontem, hoje e sempre.
Não tenho blog! Estou deixando meu e-mail para maiores contatos.
Meu email é nielneves@hotmail.com e niel7426@gmail.com

ABRAÇOS A TODOS!